terça-feira, 27 de março de 2018

'Se Confúcio quisesse preservar o meio ambiente não teria autorizado devastação da nossa floresta para pagar campanha', diz Hermínio Coelho


Para o deputado, governador de Rondônia é demagogo e não tem interesse em proteger o meio ambiente

Porto Velho, RO – O deputado estadual Hermínio Coelho, do PDT, criticou a criação de 11 novas unidades de preservação ambiental através de decreto assinado pelo governador Confúcio Moura (MDB). CLIQUE AQUI PARA LER O DECRETO.

O parlamentar garante que a Assembleia Legislativo (ALE/RO) derrubará o decreto, pois não é uma questão de ser contra a preservação ambiental, mas sim à forma arbitrária com a qual o governador age sem consultar a população ou conversar com o Legislativo a respeito. Uma ampla discussão precisa tornar o diálogo coletivo e universal, envolvendo todos os órgãos que compõem o poder público – e também a sociedade civil organizada.

Na visão do parlamentar, o emedebista é demagogo.

"Confúcio não tem interesse em preservar o meio ambiente. Se tivesse, não teria usado a ex-secretária da Sedam para autorizar ilegalmente a derrubada de 17.613 metros cúbicos de madeira em benefício do senhor Paulo Firmino da Silva, conforme denunciou o Estadão em 2016", disse. 

"E como ocorre em todas as denúncias envolvendo o governador, não deu um pio a respeito. Sequer uma mísera satisfação à população. Sempre finge que não é com ele", complementou.

Conforme registrou a reportagem mencionada pelo pedetista, entre os principais doadores que ajudaram Confúcio a se reeleger em 2014, estão empresas que obtiveram concessões para explorar grandes áreas da floresta e empresários interessados na expansão de suas lavouras em áreas devastadas.

RELEMBRE

Itamar Loks e Hugo de Carvalho Ribeiro, de um grupo de produtores rurais, doaram R$ 500 mil cada para a campanha do governador. A Triângulo Pisos e Painéis, que conseguiu por meio da Indústria de Madeira Manoa a exploração de uma área de 47 mil hectares, deu uma ajuda de R$ 60 mil. O esforço para reeleger o chefe do Executivo, ainda segundo o Estado de S. Paulo, valia até cheques de valor quase simbólico como o dado por Jonas Perutti, de R$ 10 mil. 

Perutti é figura influente no meio empresarial de Rondônia. A empresa dele, a Madeflona, conseguiu grandes concessões, como a área de 87 mil hectares da floresta de Jacundá. A fiscalização do manejo é tarefa dos governos estaduais.
Em 2016, Estadão revelou "preocupação" de Confúcio com o meio ambiente
“Quebra” do setor produtivo

A criação das 11 novas unidades de conservação, revelou a coluna Painel Político, do jornalista Alan Alex, atinge diretamente o setor produtivo do Estado, como a pecuária e agricultura – principais responsáveis pelos números positivos no PIB de Rondônia. “É bom lembrar que foi esse setor, um dos que mais investiu na campanha de Confúcio ao governo. O setor promete reagir e nesta terça-feira (27) devem ocorrer manifestações contra a criação dessas reservas”, pontuou o colunista.

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Sobre isso, asseverou o deputado:

“É um governador que não tem compromisso com absolutamente nada, sequer com as pessoas que o ajudaram a ser eleito e reeleito. Imagine só, então, o impacto que a criação das novas reservas terá na vida de pessoas carentes e humildes que ocupam essas terras há décadas!”, salientou Hermínio.


O cenário deixado pela operação da SEDAM: o que restou do esforço e dos sonhos de vários seres humanos


Ações truculentas contra pessoas pobres

O parlamentar relembrou também o episódio ocorrido em agosto do ano passado, quando ação conjunta deflagrada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (SEDAM/RO) com apoio operacional das policias Militar e Ambiental culminou com o despejo de diversas famílias em local considerado área de conservação ambiental: a Floresta Estadual de Rendimento Sustentado Rio Madeira B (FERS Rio Madeira B), conhecida como Gleba Cuniã. 

ASSISTA AO VÍDEO ABAIXO


À época, o deputado Hermínio Coelho foi à região verificar pessoalmente os estragos causados pela ação do governo.
Dezenas de casas foram derrubadas. Há um vídeo, inclusive, mostrando uma delas e seus arredores: a destruição atingiu eletrodomésticos, caixa d’água e até a plantação do morador que divulgou as imagens.


Hermínio esteva na Gleba Cuniã após ação truculenta da SEDAM

“O mesmo acontecerá com todas as pessoas que moram nas novas áreas de conservação ambiental criadas por Confúcio. Como o governador não dá a mínima para a vida humana, tanto faz se essa gente produtiva perder em segundos o que demorou anos para construir”, sacramentou.

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Por fim, indicou:

“Como são pessoas simples que mal conseguem promover o próprio sustento e não têm a mínima condição de bancar campanha eleitoral de quem quer que seja, Confúcio não quer nem saber. Se fossem madeireiros ricos que exploram nossa madeira e nossas matas, como bem revelou o Estadão, em segundos teriam autorização expressa do Palácio Rio Madeira para destruir e explorar tudo o que é nosso. É mais um crime contra a raça humana praticado por essa administração incompetente e desumana”, concluiu Hermínio Coelho.

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